O que é?

A microscopia eletrônica permite a formação de uma imagem resultante da interação de um feixe de elétrons incidentes sobre o material a ser observado, dando origem a sinais os quais são captados por diferentes detectores, fornecendo informações características sobre a amostra. O microscópio eletrônico apresenta um poder de resolução potencialmente superior ao do microscópio de luz, atingindo valores inferiores a 1 nanômetro.

Assim, com uma voltagem suficientemente alta, elétrons de comprimentos de ondas extremamente curtos podem ser produzidos e focalizados por lentes eletrostáticas e eletromagnéticas e, então, capazes de gerar imagens com aumentos superiores a 500.000 vezes.

Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV)

O princípio de funcionamento de um microscópio eletrônico de varredura se baseia na utilização de um feixe de elétrons de pequeno diâmetro que são defletidos por um sistema de bobinas, guiando o feixe de modo a varrer a superfície da amostra, a explorando ponto a ponto, por linhas sucessivas e transmitindo o sinal do detector a uma tela catódica.

MEV está acoplado ainda com um detector de EDS (espectrômetro de raio-X de energia dispersiva), o qual analisa informações resultantes da emissão de raios-X, o que permite, também, analisar a composição química do material alvo de estudo.

Assim, a microscopia eletrônica de varredura possibilita a obtenção de informações estruturais e químicas de diversas amostras. Permite estudar a superfície de materiais, avaliando a microestrutura e correlacioná-las com suas possíveis propriedades, bem como defeitos, visando aplicações funcionais dessas amostras.

Microscopia Eletrônica de Transmissão (MET)

A formação da imagem em um microscópio eletrônico de transmissão baseia-se na interação de um feixe de elétrons de alta voltagem (10 – 120 kV) com um espécime cortado em espessuras nanométricas (cortes ultrafinos). Ao atingir a amostra, o feixe é capaz de atravessar o material, sendo os elétrons transmitidos e projetados em uma tela fosforescente ou dispositivo de aquisição de imagem (câmera de alta resolução).

A interação desse feixe de elétrons com o material ocasiona a emissão de raixos-X característicos que fornecem informações sobre a composição química elementar da amostra.

Possui, ainda, um holder para tomografia eletrônica 3D, o qual é capaz de obter volumes de imagens em torno de seu eixo Y, permitindo a reconstrução.

Além de análises morfológicas de estruturas celulares, permite a observação de defeitos cristalinos não possíveis ser observados por microscopia óptica ou por microscopia eletrônica de varredura, como defeitos de empilhamento. Pode ser aplicado ainda na análise de precipitados de dimensões nanométricas, dispersos sobre uma matriz.

SOUZA, W, et al. Técnicas de microscopia eletrônica aplicadas às Ciências Biológicas. Sociedade Brasileira de Microscopia, Rio de Janeiro, 2007.

DEDAVID, B. A.; GOMES, C. I.; MACHADO, Giovanna. Microscopia eletrônica de varredura: aplicações e preparação de amostras: materiais poliméricos, metálicos e semicondutores. EdiPUCRS, 2007.